A Bíblia apresenta vários pregadores que deixaram uma marca em sua geração. É necessário retornar aos modelos bíblicos, pois atualmente a pregação em muitos lugares do mundo, se tornou motivo de comércio e status. É sempre bom aprender com o exemplo. Um dos ícones de pregadores mais marcantes da Bíblia é o pregoeiro chamado: João Batista. Ele foi uma referência para sua geração e ainda hoje continua a influenciar muitos pregadores que querem pregar o genuíno evangelho de Jesus Cristo. Considerado pelos estudiosos como o maior pregador veterotestamentário. Para extrair lições a respeito desse homem de Deus, faz-se necessário conhecer um pouco de sua vida.

O Nascimento De João Batista

     No tempo de Herodes, Rei da Judéia, existia um sacerdote chamado Zacarias, que tinha uma esposa por nome Isabel. Ambos eram tementes ao Senhor e andavam irrepreensivelmente. (Lc 1:5 e 6). Esse casal tinha o sonho de ter um filho, mas Isabel era estéril e ambos eram idosos. (Lc 1:7). Segundo a medicina é totalmente improvável e arriscado que se tenha planos para ser ter uma criança nessas condições. Mas o impossível aconteceu na vida desse casal. Certo dia Zacarias entrou no templo para oferecer incenso ao Senhor. Ele foi surpreendido com um anjo que disse: “Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. (Lc 1:13-17). Esse seria o miraculoso nascimento de João Batista. A respeito dessa resposta de oração Henry diz:

“As orações que você faz agora, e todas as suas orações, são aceitas por Deus, e formam um memorial diante dele […] Observe é um grande consolo, para as pessoas que oram, saber que as suas orações são ouvidas; e são duplamente doces as bênçãos que são dadas em resposta a uma oração.” [1]

     Embora muitos não acreditem em milagres, Deus fez um milagre na vida dessa família. Ele continua ainda fazendo milagres e maravilhas no meio do seu povo. A promessa se cumpriu e nasceu João Batista.

A Pregação De João Batista

    Diferente de muitas pregações de hoje em dia que, consistem em egocentrismo, determinismo e antropocentrismo. A pregação de João tinha características essenciais que são dignas de serem seguidas por qualquer pregador que pretende apresentar o Evangelho. Tais elementos são indispensáveis para uma pregação genuína. Logo a pregação tem que ser:

  1. Doutrinária: A pregação de João continha ensinamentos preciosos a respeito da salvação, o meio da salvação e como ser salvo. As suas pregações, sempre começavam com a seguinte afirmação: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 3:2) É necessário que toda pregação tenha um ensinamento objetivo para que um resultado seja alcançado. O pregador também auxilia o pastor trazendo um alimento sólido e doutrinário.
  2. Evangelística: A mensagem continha as boas novas de salvação. João sempre deixava clara a condição do homem e a necessidade de salvação por meio de Jesus Cristo. “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1:29) Ele indicava o Cristo, mostrando o caminho da verdade.
  3. Cristocêntrica: O tema central da mensagem de João era Cristo. Infelizmente poucos pregadores hoje em dia sequer citam Jesus em suas pregações. Esse é o ícone central de toda a Bíblia. Portanto faz-se necessário todo pregador falar de Cristo. O ministro da economia, fala de economia; O ministro da educação, fala de educação. Por tal motivo convém que o ministro de Cristo, apresente Jesus aos seus ouvintes.
  4. Exortativa: Outra característica peculiar das pregações de João era seu caráter exortativo. Ele sempre procurava advertir o povo do perigo de viver uma vida sem Deus. Isso se torna explícito em passagens como: “E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt 3:7) “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo”.(Mt 3:10). Isso mostra claramente que João era sincero, verdadeiro, realista e honesto teologicamente. Diferente de muitos pregadores que vivem da cortesia e da bajulação. Por isso Ele é sempre será um exemplo para aqueles que querem anunciar as boas novas.

      Vale salientar que, a maioria das pregações de João foram faladas no deserto, mesmo assim atraía grandes multidões de pessoas, ricas ou pobres para ouvirem a mensagem do Reino de Deus (Mt 3:5; Mc 1:5). Isso  ensina implicitamente que João pregava com simplicidade, pois atraía todas as classes de pessoas. Muitos pregadores falam de forma tão erudita que dificilmente se entende o que falam. Sobre a simplicidade na exposição George Müller diz:

“Simplicidade de expressão é da maior importância. O professor deve falar de tal modo que até crianças e pessoas que não saibam ler sejam capazes de entendê-lo, tanto quanto a mente natural possa entender as coisas de Deus. Toda congregação tem pessoas de vários níveis educacionais e sociais. O expositor da verdade de Deus fala por Deus e pela eternidade. É improvável que beneficie os ouvintes a menos que use linguagem simples. Se o pregador se esforçar para falar de acordo com as regras desse mundo, ele pode agradar a muitos, particularmente àqueles que possuem um paladar literário. Mas ele será menos propenso a se tornar um instrumento nas mãos de Deus para a conversão de pecadores ou para a edificação dos santos. Nem a eloqüência, nem a profundidade de pensamento, faz um verdadeiro grande pregador.” [2]

A Postura De João Batista Diante da Fama

      É certo que todo o ministério começa com o anonimato. Mas querendo ou não, a fama e os elogios são quase inevitáveis. Com João Batista não foi diferente. É notável que a postura de João sempre foi a humildade. Era  discreto por isso escolhia o deserto para pregar as boas novas. A frase clássica que demonstra toda essa postura está em João 3:30 “É necessário que ele (Cristo) cresça e que eu diminua”. Tem muitos que preferem pregar nos palácios, mas o caminho para o crescimento do profeta de Deus, ainda é o deserto. Ele era o tipo de pregador que preferiria pregar em locais desertos do que em locais públicos. A partir disso, conclui-se que seu foco não era a glória dos homens, mas sim, a glória de Cristo.

A Vestimenta De João Batista

     O mensageiro se vestia com um vestido de pelos de camelo e um cinto de couro (Mt 3:4). Essa vestimenta não era luxuosa como alguns pensam. Pelo contrário o entendimento majoritário é que essa vestimenta era acessível a qualquer pessoa da época. Sobre a vestimenta adequada o Pastor Toler afirma:

“Certo ou não, algumas pessoas da congregação nunca ouvirão o que você está dizendo, porque estão olhando o que você está vestindo”. [3]

     O equilíbrio na vida do cristão deve acompanhá-lo até na maneira de se vestir. O homem não deve se vestir como um “pavão” que marca o seu território, nem muito menos maltrapilho como um mendigo.

Ele Foi Confundido Com Jesus

     Em dado momento judeus abordaram João Batista para fazerem uma série de questionamentos: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?” (Jo 1:19-22). Esse servo de Deus pregava de maneira tão especial e se procedia de maneira tão digna, que o confundiram com Jesus. A missão de todo pregador primeiramente é refletir a Cristo com suas palavras e ações. Pois o exemplo valem mais que mil palavras.

A Voz Que Clama No Deserto

     Ele se classificava como uma voz. “Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías”. (Jo 1:23). A ciência afirma que a voz é tão única quanto a impressão digital. Ser uma voz é ser único é ter estilo próprio. Existem muitos pregadores no mundo, mas poucos são vozes. A maioria não é uma voz pois comportam-se como se fossem um eco. Deus não nos chamou para sermos uma imitação. Se Deus te deu uma voz não há motivos para se proceder como um eco. Sobre a originalidade da voz, Spurgeon afirma:

“Usem as suas vozes naturais. Não sejam macacos, e sim homens; não papagaios, e sim homens capazes de originalidade em todas as coisas.” [4]

     Deus dotou cada ser humano de originalidade. Ninguém tem a mesma voz e a mesma impressão digital. Pregue da maneira que Deus lhe criou pois ser autêntico, agrada os olhos do Criador.  O pregador não deve ser uma xerox, ele deve ser original.

     João Batista nos deixou um legado muito precioso. Toda sua vida nos traz lições maravilhosas e por isso que ele foi e ainda é um exemplo para todos aqueles que compartilham as boas novas do Reino de Deus. Que Deus levante homens e mulheres como João Batista. É desse tipo de pregador que precisamos mais do que nunca nos nossos púlpitos.

Referências Bibliográficas:

  • Bíblia Sagrada, ARC. Scripturae, 2004
  • [1] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico, Novo Testamento, Mateus a João. CPAD, 2010. p 511 e 512.
  • [2] MÜLLER, George. A Autobiografia de George Müller. IDE, 2004. p 38 e 39.
  • [3] TOLER, Stan. A Excelência do Ministério, Orientações Práticas para o Pastorado. CPAD, 2011. p 38.
  • [4] SPURGEON, C. H. Lições aos meus Alunos, Homilética e Teologia Pastoral, Vol. 2. PES, 2002, p 185.

 

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